EPPGG debate ações sobre IA e soberania tecnológica no Valor Econômico
O EPPGG aposentado e atual secretário extraordinário para a Transformação do Estado Francisco Gaetani publicou artigo no Valor Econômico, em coautoria com Virgílio Almeida, no qual debate o tema da soberania tecnológica. Falando especificamente de políticas voltadas ao desenvolvimento das Inteligências Artificiais (IAs), os autores advertem: nenhum país pode conviver com o risco de ser “desligado” das novas tecnologias.
“A inteligência artificial caminha para se tornar ainda mais poderosa nos próximos anos, potencialmente desencadeando transformações econômicas de grandes proporções em uma velocidade sem precedentes. Trata-se da percepção que a inteligência artificial avança aceleradamente em direção à chamada Frontier AI, onde as capacidades dessas tecnologias irão ultrapassar a capacidade da sociedade de compreendê-las, regulá-las e governá-las”.
Gaetani e Almeida identificam como um risco o fato de estas novas (e poderosas) tecnologias estarem concentradas nas mãos de quatro ou cinco empresas – OpenAI, Anthropic, Google, Microsoft e chinesas como DeepSeek e Moonshot AI, controladas de perto pelos governos dos Estados Unidos e da China. “O domínio das tecnologias mais avançadas de IA está diretamente relacionado a dois vetores. O primeiro é a manutenção do hiper poder militar, econômico e político. Trata-se portanto de disputas no contexto geopolítico, onde EUA e China buscam ampliação e manutenção de seus impérios de influência. O segundo é o diferencial competitivo do ponto de vista dos ganhos de produtividade antecipados pela penetração da IA no mundo econômico”.
Falando da situação local, os autores percebem outro risco, decorrente da concentração de poder: para eles, o risco de se tornar um país da periferia das tecnologias avançadas de IA é particularmente crítico para o Brasil e para outros países de poder médio que tem setores econômicos avançados, os quais não poderão prescindir do acesso a Frontier AI. “Petróleo, agronegócio e saúde são setores que requerem tecnologias cada vez mais avançadas. O impulso de nos proteger das rupturas provocadas pela Frontier AI – erguendo barreiras ou simplesmente recorrendo a tecnologias desenvolvidas em outros países – pode trazer algum conforto no curto prazo, mas aprofunda a dependência econômica e tecnológica no longo prazo”.
E qual a alternativa a este cenário? Gaetani e Almeida afirmam ser enfrentar essas transformações, e não recuar diante delas: investir em capacidades próprias, aceitar os custos de acesso às tecnologias de fronteira e desenvolver a capacidade de adaptá-las e governá-las. Ele concluem: “Para os países de poder médio, o desafio não é competir diretamente com Estados Unidos e China, mas evitar tornarem-se um permanente consumidor de tecnologias desenvolvidas por outros e preservar a capacidade de definir seu próprio futuro econômico e político”.