EPPGG investiga impacto de redes interpessoais na mobilidade de carreira
O EPPGG Pedro Palotti assina artigo na Public Administration Review em que debate a relevância das redes interpessoais para a mobilidade na carreira na administração pública brasileira. O estudo tem coautoria de Danilo Cardoso, Flavio Cireno, Julien Labonne, Pedro Masson, Flavio de Vitoria e Martin Williams. Embora os autores reconheçam as limitações de dados e de possibilidades de mensuração sobre o tema – o que faz com que haja poucas evidências do papel das conexões interpessoais na formação de trajetórias de carreira no governo –, eles questionam: qual a importância dessas redes no serviço público? Quais fatores as impulsionam e como elas diferem entre funcionários de carreira e nomeados? Quais são suas implicações para a equidade e a igualdade?
Tais questões são examinadas a partir dos efeitos de diferentes tipos de conexões interpessoais na mobilidade de funcionários dentro e entre instituições governamentais em todo o funcionalismo público federal brasileiro. Para tanto, foram utilizados dados administrativos de mais de 440 mil indivíduos no período de 2000 a 2018. “Constatamos que as redes de contatos individuais são altamente preditivas de futuras transferências: um aumento de um desvio padrão no número de conexões interpessoais que um indivíduo possui em uma determinada unidade está associado a um aumento de 12,7% na probabilidade de transferência para essa unidade naquele trimestre. As conexões são vetores comuns, embora não necessariamente abrangentes, para a mobilidade na carreira, com apenas 22,8% de todas as transferências ocorrendo para unidades nas quais o indivíduo possui pelo menos uma conexão com experiência profissional anterior em comum”.
O estudo indica, portanto, que as redes interpessoais são importantes impulsionadoras da mobilidade na carreira em órgãos governamentais. Além disso, essas redes são impulsionadas principalmente por laços com colegas que facilitam a construção de confiança e o compartilhamento de informações (em vez de clientelismo político ou favoritismo). Por fim, os efeitos são semelhantes tanto para funcionários nomeados politicamente quanto para funcionários de carreira, podendo variar em importância de acordo com características demográficas.
Além de contribuições empíricas, o artigo também oferece contribuições metodológicas para o estudo dos mercados de trabalho e redes burocráticas em instituições do setor público. “Em particular, nossa abordagem de mensuração de redes (e o código para calculá-la, disponível online) abre novas perspectivas de pesquisa no crescente número de governos com conjuntos de dados abrangentes sobre pessoal administrativo”.