CartaCapital: EPPGG avalia desafios para o campo progressista após virada eleitoral

Em artigo publicado na CartaCapital, o EPPGG Pedro Assumpção Alves discute os sentidos da virada eleitoral inédita conquistada por Luiz Inácio Lula da Silva, que passou para o segundo turno atrás de Flávio Bolsonaro e, ao fim, foi eleito para um quarto mandato como Presidente da República. Para Alves, “a primeira virada entre turnos de uma eleição presidencial brasileira não pode ser interpretada apenas como uma vitória nas urnas. Precisa mudar a maneira como o campo progressista compreende o País”.

O autor afirma que é momento de o governo federal “olhar o Brasil nos olhos”, reconhecendo problemas e recuperando a capacidade de produção de esperança com o futuro. “Não há mais espaço para uma política limitada ao tecnicismo administrativo, à gestão do existente e ao olhar fixado no retrovisor”, sentencia. Em sua análise, parte do campo progressista concentrou-se, nos últimos tempos, em defender conquistas, administrar restrições fiscais e resistir a retrocessos. Em que pese defender direitos seja indispensável, o EPPGG afirma que “quem se limita a preservar o existente entrega aos adversários o monopólio da imaginação”. Em outro texto publicado na ANESP, ele já havia defendido a urgência de se disputar a capacidade de imaginar novos futuros – o que volta a fazer agora.

Nesse sentido, Alves aborda a possibilidade de construção de uma infraestrutura pública de serviços digitais, que poderia ser gradativamente expandida para entregas, serviços profissionais e outras atividades: “O Estado deixaria de atuar apenas como regulador para participar da construção de alternativas”. Por exemplo, um aplicativo de transporte sob controle público, desenvolvido em software aberto e com regras transparentes, poderia assegurar que a maior parte da tarifa fosse destinada ao motorista, com contribuições previdenciárias, seguro e taxa de manutenção. 

Contudo, o autor faz uma advertência: “O resultado das urnas oferece uma oportunidade, não uma garantia. As forças que ameaçam a democracia permanecem organizadas, com representação institucional, recursos econômicos e acesso aos meios de comunicação. Confundir governo com transformação das estruturas de poder seria repetir um erro histórico”.

Leia o texto na íntegra.


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