EPPGG debate fim da jornada 6x1 e potencial repercussão na avaliação do governo federal no Contexto Brasil
No Contexto Brasil, o EPPGG Emilio Chernavsky discute a estabilidade nos índices de aprovação do governo Lula mesmo diante de um bom desempenho (razoável, no mínimo) em indicadores econômicos. O autor comenta que, apesar de muitos desses índices – em especial aqueles ligados ao mercado de trabalho – estarem nos melhores níveis da história, a melhora não significa uma transformação na vida das pessoas:
“A vida melhora, sim, mas lentamente. E não se transforma, ao contrário do que ocorreu nos primeiros mandatos do presidente Lula, quando existia uma percepção clara de prosperidade generalizada, refletida na multiplicação do acesso a bens e serviços e a experiências definidoras de bem-estar e de status social”, afirma.
Para entender essa situação, Chernavsky diz que é preciso, inicialmente, notar que a vida continua difícil para um número grande de trabalhadores – apesar da melhora em indicadores. “Ainda há quase 6 milhões de desocupados, que procuram e não encontram emprego, 4,5 milhões de subocupados, que trabalham menos de 40 horas semanais e gostariam de trabalhar (e ganhar) mais, e quase 3 milhões de desalentados, que desistiram de procurar emprego”. Ele chama atenção ainda para a precarização, que é ampla: 20% dos ocupados são empregados sem carteira assinada; e 26% trabalham por conta própria – dos quais mais de 70% sequer possuem um CNPJ.
Diante deste cenário, se nem a reforma do Imposto de Renda nem benefícios como Luz para Todos e Gás do Povo trouxeram melhoras objetivas na aprovação do governo, o EPPGG considera que a proposta de redução da jornada de trabalho e de fim da escala 6×1 pode ser uma medida que melhora os números para Lula. Primeiro, porque o número de beneficiários diretos é 4 a 5 vezes superior que a mudança no Imposto de Renda (mais de 63 milhões de pessoas, 60% dos ocupados). Além disso, o ganho para esse grupo também é sensivelmente maior, de 10% na remuneração por hora trabalhada se a jornada for reduzida a 40 horas semanais.
“Diferentemente da luz e do gás do povo, da isenção do imposto de renda e de outras políticas meritórias implantadas pelo governo nos últimos anos, mais que uma melhora, o fim da jornada 6×1 significa uma transformação na vida de dezenas de milhões de pessoas, capaz de produzir marcas permanentes na sociedade, como ocorreu nos anos 2000”.