EPPGG avalia resultados das eleições na CartaCapital
O EPPGG Pedro Assumpção Alves publicou artigo na CartaCapital, junto a Cristiano Lafetá, em que analisa os significados dos resultados do primeiro turno das eleições brasileiras de 2026 para o campo progressista. Diante de um cenário em que a democracia liberal parece não encontrar respostas aos desafios da sociedade e os discursos radicalizados se ampliam, ganham corpo e adesão das massas, os autores questionam: “Caberia à esquerda tradicional dos países ocidentais retomar posições antissistema e recuperar o campo da indignação coletiva?”.
A resposta sugerida à questão é positiva – em especial diante do alto número de votos conferidos a figuras da extrema-direita como Nikolas Ferreira, em Minas Gerais, e Lucas Pavanato, em São Paulo. “O resultado eleitoral expôs uma questão muito incômoda: a direita continua capaz de oferecer pertencimento, indignação e uma imagem de futuro, ainda que regressiva”, avaliam. Contudo, a extrema-direita não ofereceria apenas conservadorismo moral; ela ofereceria antagonistas, pertencimento e uma explicação para o mal-estar social. “Sua narrativa pode ser falsa, simplificadora e muitas vezes profundamente injusta, mas tem uma qualidade politicamente decisiva, em que organiza a indignação e oferece uma saída individual para o apocalipse do projeto coletivo”.
O campo progressista, em contraste, teria passado muitas vezes a responder com defesa institucional, indicadores de políticas públicas e alertas sobre os riscos à democracia. Apesar de pontos importantes, tais pautas mobilizariam pouco a sociedade. Portanto, a busca por adesão popular ao campo progressista passaria, necessariamente, pela compreensão de que a defesa das instituições de estado liberal não encontra eco “entre as massas empobrecidas e oprimidas por essas mesmas instituições”.
Leia o artigo “O bode na sala do campo progressista” na íntegra no site da CartaCapital.