Exemplo da Espanha em soberania digital é discutido por EPPGG no Brasil247

Recentemente, o governo da Espanha instruiu as empresas sob controle da Sociedade Estatal de Participações Industriais (SEPI) a suspenderem qualquer nova contratação com a empresa estadunidense de IA e análise de dados Palantir. A justificativa levada aos conselhos de administração das companhias pelo governo do presidente Pedro Sánchez é a proteção da soberania nacional e o temor de que informação classificada, ligada à segurança do Estado, passe pelas mãos de uma multinacional estrangeira – especialmente uma cujos fundador e CEO (Peter Thiel e Alex Karp, respectivamente) têm proximidade com Donald Trump. É sobre este caso e o que ele pode ensinar ao Brasil que o EPPGG James Görgen fala no artigo “A Palantir e o escudo espanhol”, publicado no Brasil247.

De acordo com Görgen, a medida do governo espanhol já derrubou um acordo quase fechado com a Navantia e um projeto negociado com a Guarda Civil, vetado pelo próprio ministro do Interior do país ibérico. Ainda que com algumas ressalvas (já que contratos com as Forças Armadas ainda foram mantidos), a pergunta que fica, para ele, não é por que a Espanha agiu, e sim por que só ela agiu.

“O resto da Europa fala a mesma língua e produz o mesmo tipo de sinalização, sem o mesmo gesto. Alemanha, Dinamarca e Países Baixos manifestam simpatia pela mesma direção sem, até aqui, um instrumento equivalente ao espanhol”, afirma. 

Voltando seu olhar analítico para o Sul Global, o EPPGG percebe a nossa distância em relação a um horizonte de soberania digital como maior. “O vocabulário da soberania digital circula com folga em declarações, cúpulas e planos nacionais, mas raramente encontra o par que a Espanha reuniu, isto é, instrumento de compra concentrado no Estado e alternativa doméstica já financiada para absorver o vácuo”.

É essa combinação, para Görgen, que falta a quase todo país que discursa sobre soberania digital sem nunca ter testado o próprio poder de compra contra um fornecedor aparentemente único. “A Espanha não resolveu o problema, o contrato militar em aberto mostra isso, mas foi mais longe do que qualquer parceiro europeu ou qualquer país do Sul Global até aqui. E a pergunta sobre por que ela, e não os outros, vale mais do que a resposta fácil de que a diferença é só vontade política”, conclui.

Leia o texto na íntegra.


ÚLTIMAS NOTÍCIAS