Disputas internacionais em IA são tema de artigo de EPPGG no Outras Palavras

Em artigo no Outras Palavras, o EPPGG James Görgen escreve sobre disputas internacionais envolvendo políticas de desenvolvimento de Inteligências Artificiais (IAs) – especialmente entre Estados Unidos e China. O texto integra uma série sobre laboratórios de fronteira que treinam modelos avançados de IA, avaliando possíveis riscos, limites e implicações da corrida tecnológica no Sul Global. 

No texto em questão, Görgen discute uma recente medida do governo estadunidense que impõe alguns limites às big techs e seus serviços de IA. O conteúdo da medida, contudo, não foi revelado: “A justificativa de um funcionário do governo é a frase que resume o episódio: só porque as coisas não são classificadas, isso não significa que vamos transmiti-las a todo mundo”. Segundo Görgen, apenas quatro empresas puderam ler o rascunho: OpenAI, Anthropic, Google e Meta. Assim, a pergunta que resta, para ele, é: “Se um arcabouço que ninguém fora do governo pode ler, construído sobre aferições que ninguém fora da Agência de Segurança Nacional (NSA) pode ver, corresponde à transparência que a ordem executiva prometia”.

Citando Milton Mueller, integrante do Internet Governance Project, o autor explica que a medida do governo dos EUA permitiria a ele retaliar empresas que não cooperassem com seus objetivos, ao passo que os mecanismos de revisão sobre as IAs não estão baseados em padrões escritos nem em critérios definidos. “O processo de aferição seria classificado, opaco e sem instância de recurso”, critica.

Ainda em diálogo com Mueller, o EPPGG comenta sobre duas narrativas contraditórias que disputam a política de IA atualmente. A primeira diz que os modelos podem escapar ao controle humano e produzir catástrofe, e daí decorre todo o vocabulário de segurança, salvaguardas e controle de lançamento. A segunda diz que há uma corrida, que IA determina crescimento econômico e poder nacional, e que o governo norte-americano deveria garantir a liderança dos EUA com subsídios, proteções e tentativa sistemática de bloquear a China. As duas são incompatíveis, explica Görgen: “A primeira pede desaceleração e ação coletiva global. A segunda pede aceleração unilateral e descarta regulação prévia como obstáculo”.

Leia o texto na íntegra.


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