ANESP, 37 anos: carreira renovada, compromisso com o futuro

O ano era 1989 e o clima, de redemocratização. Havia pouco a Assembleia Constituinte encerrara seus trabalhos, dando um fim institucional aos anos de ditadura, símbolo da violência estatal e da arbitrariedade no Brasil. Estavam garantidos, dali em diante, a liberdade de expressão e de pensamento, os direitos fundamentais à educação, à saúde e à cultura, entre diversos outros avanços promovidos por aquela que ficou conhecida como a Constituição Cidadã.

É esta a atmosfera que dá à luz a carreira de Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG). Afinal, se a sua trajetória nasce do relatório de Sérgio Paulo Rouanet, em 1982 – documento que inspira a criação da Escola Nacional de Administração Pública (Enap) e de uma carreira de gestores de alto nível –, vai ser só em 1988 que o clima político permitirá, efetivamente, a realização do primeiro concurso para EPPGG. Assim, no final daquele ano, a primeira turma começa o curso de formação na Enap e, em 10 de maio de 1989, há exatos 37 anos, é fundada a Associação Nacional dos Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (ANESP).

Filha da redemocratização brasileira, a ANESP testemunhou muitas das turbulências que viriam nos anos seguintes, no duro processo de reestabilização do Estado nacional: resistiu à extinção da carreira imposta pelo governo Collor em 1991; acompanhou a expansão dos concursos nos governos FHC e Lula; e enfrentou um período de desmonte institucional, demonstrando capacidade de mobilização e de articulação institucional. Ao longo dessas quase quatro décadas, seja em assembleias, em mesas de negociação ou no debate público, a ANESP sempre defendeu que um Estado forte, profissional e democrático é condição básica para a implementação de políticas públicas capazes de transformar o País e as vidas que o habitam.

Hoje, enquanto a carreira conta com 1043 EPPGGs ativos espalhados por diversos órgãos do governo, a ANESP olha para o futuro com o compromisso democrático – o espírito que a fundou – renovado. E com reforço: depois de 15 anos sem novas turmas, em 2025, o Concurso Público Nacional Unificado (CPNU) convocou 141 EPPGGs; em 2026, mais 37 que estavam no Cadastro Reserva. Isso permitiu uma renovação essencial para o enfrentamento dos desafios do Estado contemporâneo, desde a crise climática e questões de soberania até problemas históricos do Brasil, como as desigualdades de renda, de raça e de gênero. Nesse contexto, a luta por reposição de quadros, pela realização de concursos periódicos e por recomposições salariais não diz respeito somente aos interesses de uma carreira, mas da coletividade: de um Estado forte e de um serviço público eficiente.

Esta linha do tempo é, portanto, mais do que um registro histórico: é a memória viva de uma carreira que se construiu junto com o Brasil democrático e que quer, ao lado de outras carreiras, associações, sindicatos, movimentos, pessoas, garantir que o Estado cumpra suas obrigações, tais quais aquelas escritas por muitas mãos e vozes, resultado de muita mobilização e luta social, na Constituição Cidadã de 1988.


ÚLTIMAS NOTÍCIAS