Nota de pesar: Mário Lisboa Theodoro deixa legado na luta por igualdade racial
A ANESP manifesta seu profundo pesar pelo falecimento de Mário Lisboa Theodoro, docente e pesquisador que marcou de forma decisiva o debate público brasileiro. Sua trajetória foi pautada pelo compromisso com a produção de conhecimento rigoroso e socialmente comprometido, especialmente nos campos da economia, das políticas públicas e das relações raciais.
Professor e intelectual de referência, Mário Theodoro dedicou-se à análise crítica das desigualdades estruturais do país, contribuindo de maneira consistente para a formulação e o aprimoramento de políticas públicas orientadas pela justiça social e pela equidade racial. Entre 2011 e 2013, ele atuou como secretário-executivo da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, deixando um importante legado para gerações de estudantes, pesquisadores e gestores públicos.
O vice-presidente da ANESP, Artur Sinimbu, manifestou profundo pesar pelo falecimento e destacou o legado de Mário Lisboa Theodoro: “O professor Mário Lisboa Theodoro teve papel decisivo na incorporação da agenda racial no Estado brasileiro. Em meio às resistências históricas da classe política e do próprio estamento burocrático em reconhecer o racismo e as desigualdades raciais como questões de política pública, foi incansável em evidenciar, com rigor e compromisso, os dados que expunham essa realidade. Mário reunia, de forma singular, espírito combativo, brilhantismo intelectual e profundo senso de responsabilidade pública. Entre suas muitas frentes de atuação, teve contribuição fundamental para a implementação de ações afirmativas no ensino superior e no serviço público federal, ajudando a pavimentar o caminho para uma nova geração de servidores comprometidos com o enfrentamento das desigualdades estruturais, especialmente no campo racial e no mundo do trabalho.”
Neste momento de dor, a ANESP se solidariza com familiares, amigos, colegas e alunos, expressando reconhecimento e gratidão por sua contribuição à construção de um Brasil mais justo. Seu legado permanecerá como inspiração para todos nós. E, para que não nos esqueçamos de suas palavras, deixamos aqui uma entrevista que Mário Theodoro concedeu ao Observatório de Análise Política em Saúde (OAPS) ainda em 2020 – o tema era a Reforma Administrativa. Leia a íntegra da conversa aqui.
“A lógica da financeirização fez com que o governo deixasse de ser governo para ser uma espécie de empreendimento gerador de lucros e dividendos para os seus acionistas. Com isso, a capacidade do governo de desenhar políticas públicas fica comprometida porque isso não faz parte dos objetivos. O objetivo principal do governo não é a melhoria da qualidade do serviço público, mas é o enxugamento da máquina pública para que ela custe cada vez menos, independentemente da qualidade que isso venha a acarretar”.