Na Carta Capital, EPPGG discute estratégia nacional de desenvolvimento
O EPPGG Felipe Machado publicou artigo na Carta Capital em que defende a necessidade de uma mudança radical na estratégia de desenvolvimento nacional. Seu diagnóstico emerge da constatação do aumento da distância entre o Brasil e os países desenvolvidos: por exemplo, desde 1990, a renda per capita brasileira aumentou 1,3% ao ano, em média; na China, 8,1%. “O fosso brasileiro em relação ao mundo desenvolvido se alargou. As nações consideradas de alta renda cresceram 1,5% ao ano. Tínhamos 36% da renda deles. Agora, temos 34%”.
Diante deste cenário, Machado aponta que, para que o País atinja a renda per capita média dos países ricos, precisa crescer em patamares muito superiores aos atuais: “Para atingi-la em uma geração (25 anos), teremos que acelerar o nosso crescimento de 1,3% para 5,9% ao ano”, indica, mas não sem acrescer uma ressalva: “Somente uma vez desde 1990 crescemos acima disso – em 2010, após a chamada ‘Crise do Subprime’, cujos impactos se concentraram nos dois anos anteriores”.
No texto, Machado situa o período de consolidação do nacional-desenvolvimentismo (1930-1980) como um importante marco para se pensar estratégias de desenvolvimento. Nessas décadas, o Brasil adotou sucessivos planos de desenvolvimento liderados pelo Estado, crescentemente capacitado para tal, e que tinha na industrialização o seu objetivo prioritário. Instituições-chave como BNDES, Petrobras, Eletrobras e Embraer foram criadas nesse período. “Aquela época não foi livre de contradições e erros. Além de suprimir as liberdades individuais e impedir o exercício da democracia, a ditadura impediu uma reforma agrária profunda, que esteve na base do ‘milagre econômico’ do Leste Asiático, com relativa igualdade”, ressalta. Outro problema detectado pelo autor é a dependência em relação ao capital estrangeiro, o que aumentou a vulnerabilidade externa brasileira.
A situação se agravou, para o EPPGG, no período posterior, marcado pela hegemonia neoliberal e pautado pelos interesses de curto prazo do mercado financeiro: “O resultado foi a mais grave desindustrialização precoce do mundo, grande dificuldade de gerar empregos estáveis, de qualidade e com bons salários, crescente dependência externa e a perda das características que um dia nutriram o sonho do ‘País do Futuro’”. Características que, sublinha Machado, devem ser recuperadas: liderança, fortalecimento e planejamento estatal, desenvolvimento de capacidades produtivas, ambição e ousadia.