Gargalos para desenvolvimento sustentável são debatidos por EPPGG no JOTA

O EPPGG Pedro Cavalcante, em coautoria com Alexandre Gomide, publicou artigo no JOTA em que discute os gargalos para o desenvolvimento sustentável de países. “Como uma nação alcança níveis elevados e sustentáveis de desenvolvimento? Ou por que alguns países constroem trajetórias consistentes de progresso, enquanto outros permanecem marcados pela estagnação ou por avanços incompletos, mesmo dispondo de condições e recursos comparáveis?”, perguntam-se.

Sem respostas simples, os autores apontam o Global State Development Drivers Index (GSDI), elaborado pela Universidade de Fudan (Xangai), como uma importante contribuição para aprofundar essas questões. Afinal, em vez de se limitar a uma única dimensão do desempenho econômico, como PIB, renda ou produtividade, o índice organiza um conjunto amplo de variáveis associadas às bases, capacidades e resultados do desenvolvimento. Sua contribuição está menos em isolar causas puras e mais em oferecer uma leitura sintética das condições e trajetórias que sustentam processos duradouros de transformação, explicam Cavalcante e Gomide.

De modo geral, o índice questiona abordagens fragmentadas e de curto prazo, indicando que trajetórias bem-sucedidas estão associadas à coordenação estratégica, à continuidade institucional e à atuação de Estados capazes de orquestrar processos de complexificação econômica. Para o Brasil, tais ensinamentos seriam especialmente relevantes: “O problema central parece estar menos na ausência de recursos ou capacidades latentes e mais na dificuldade de articulá-los de forma consistente e duradoura. Isso aponta para a baixa coordenação entre política industrial e agenda de inovação, além da fragilidade de um planejamento de longo prazo sustentado por estabilidade institucional, condição necessária para transformar potencial em mudança estrutural”.

Por fim, os autores reconhecem que o “Santo Graal” do desenvolvimento, almejado por todos e alcançado por poucos, permanece complexo, sem que haja um modelo único ou uma receita universal. “A experiência comparada sugere, porém, um elemento recorrente: Estados capazes de organizar, coordenar e alinhar progressivamente as forças motrizes do desenvolvimento. Ferramentas como o GSDI não oferecem respostas prontas, mas uma lente para mapear capacidades, identificar lacunas e orientar escolhas estratégicas. Nesse terreno, saber onde se está e como outros países avançaram é um passo decisivo para construir caminhos próprios”.

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