Negociação reaberta com grevistas

Post publicado no “Blog do Servidor”, do jornal “Correio Braziliense”, diz que governo reinicia em 2013 conversas com as categorias que não aceitaram o reajuste de 15,8% visando possíveis acertos financeiros em 2014

As negociações salariais com as 10 carreiras que não aceitaram o reajuste de 15,8%, em três parcelas, recomeçarão no início do ano que vem, para possíveis acertos financeiros em 2014. E os policiais federais que ainda não receberam o restante da reposição dos dias parados terão o dinheiro depositado na conta até o fim deste mês. O aviso foi do secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, durante audiência na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados. Ele disse ainda que a reestruturação da carreira dos policiais federais é um assunto complexo, que exige esforço conjunto de vários órgãos, como o Ministério da Justiça e a direção da Polícia Federal. 

“A mesa de negociação tem seus limites. Uma reestruturação desse porte, que envolve redefinição de carreiras, precisa do convencimento de diversas áreas do governo”, ressaltou Mendonça. Foi aplaudido pelos escrivães, papiloscopistas e agentes (EPAs) presentes, que estiveram em greve por 69 dias. “O objetivo do secretário é resolver. Tenho certeza de que ele saiu do processo quase tão frustrado quanto nós”, assinalou o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Marcos Wink. O sentimento de otimismo aumentou, quando Mendonça anunciou que os dias parados — alguns tiveram o contracheque zerado — virão em folha suplementar. “Será no dia 20, junto com o salário”, contou Wink. 

A definição da data aconteceu após exaustivos ajustes entre a Fenapef e o Planejamento, que atravessou a noite de quarta-feira. “Felizmente, conseguimos equacionar o problema”, disse Wink. Mendonça aproveitou a oportunidade para reafirmar a boa vontade do governo. Disse que, em 10 anos — oito do governo Lula e dois de Dilma Rousseff —, o país viveu o mais longo processo de negociação. Foram assinados 105 termos de acordo com mais de 1,1 milhão de servidores ativos e inativos do Poder Executivo. Mas pregou a necessidade de se regulamentar o direito de greve, para evitar os abusos cometidos recentemente pelo funcionalismo. “Isso vai dar mais segurança para o governo e para os servidores. Ninguém pretende restringir nada”, frisou.

Afago
Para reforçar que não há ressentimentos, nem mesmo com os agentes da PF que provocaram o caos em portos, aeroportos e estradas, Marcelo Veiga, assessor especial do Ministério da Justiça, anunciou que vai receber representantes da categoria no próximo dia 19, às 17 horas, na sede do órgão, para uma conversa entre as partes interessadas no plano de carreira, inclusive o diretor-geral da PF, Leandro Daiello Coimbra, malvisto pelos policiais. O objetivo é entender tanto as propostas dos servidores, quanto a queda de braço com as chefias. O presidente da Comissão do Trabalho, deputado Sebastião Bala Rocha (PDT-AP), deu total apoio às reivindicações. Indicou três parlamentares para acompanhar as conversas e evitar que o clima entre os agentes e os delegados, que aceitaram a proposta do governo, fique ainda mais tenso. 

Durante seu discurso, Wink denunciou perseguições, terceirizações indevidas e assédio moral. Por esse motivos, pediu ao deputado Protógenes (PCdoB-SP) que abra uma CPI da Polícia Federal. “O que ocorre hoje dentro da PF é uma vergonha”, ressaltou. Protógenes aceitou o desafio e respondeu que começaria a colher assinaturas já a partir de ontem. Marcelo Veiga, por outro lado, demonstrou não conhecer os problemas internos. Assegurou que, até então, “os pouquíssimos procedimentos administrativos abertos estiveram vinculados a duas situações específicas: uso de uniformes de forma ostensiva e acesso a áreas restritas, como aeroportos, durante o movimento grevista”.

Fonte
Correio Braziliense (Blog do Servidor) – 09 de novembro de 2012