No JOTA, EPPGG questiona elos entre mídia e mercado financeiro expostos pelo caso Master

Em artigo publicado no JOTA, o EPPGG Pedro Assumpção Alves – em coautoria com José Celso Cardoso Jr. – discute as conexões, expostas no caso do Banco Master, entre o mercado financeiro e grupos de mídia no Brasil. Além disso, a partir de investigações da Polícia Federal sobre possíveis vínculos societários e pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro a grupos de mídia para obter conteúdos favoráveis e influência sobre a informação, Alves e Cardoso Jr. afirmam ser necessário o reexame dos discursos, bastante difundidos nos meios de comunicação, sobre o fiscalismo.

Fiscalismo, explicam, “significa colocar a dívida acima dos objetivos de um país, fazendo de sua gestão o critério dominante das decisões de governo”. Desse modo, estratégias de desenvolvimento ficariam subordinadas ao espaço fiscal previamente delimitado. “O fiscalismo restringe investimentos essenciais ao tratar seu impacto imediato nas contas como obstáculo à sua realização. Infraestrutura, ciência, tecnologia e formação profissional exigem recursos e continuidade. Adiá-los ou abandoná-los mantém gargalos e dependências, comprometendo a produção e a geração de renda. Esses custos também precisam entrar na avaliação das escolhas fiscais”.

O argumento central dos autores é que essa disputa passa também pelos meios de comunicação – mas os vínculos destes com partes interessadas no debate podem tornar os conteúdos tendenciosos. Alves e Cardoso Jr. se baseiam no Monitoramento da Propriedade da Mídia, lançado pelo Intervozes e pela Repórteres sem Fronteiras em 2017, que mapeou 50 veículos ou redes pertencentes a 26 grupos. Uma análise publicada em janeiro de 2018 identificou negócios financeiros em nove deles. Naquele período, a família proprietária da Record detinha 49% do Banco Renner, o Conglomerado Alfa reunia atividades bancárias e a Transamérica, e o Grupo Folha mantinha negócios com o PagSeguro. Globo, Bandeirantes, Record/Universal, RBS e Folha concentravam 26 dos 50 veículos pesquisados.

“Esses vínculos sugerem que o debate econômico tem interesses em jogo e pode privilegiar a perspectiva de quem se beneficia dos juros. Quando o gasto social é apresentado sobretudo como ameaça às contas e a remuneração financeira fica fora da disputa política, a visão dos credores ganha precedência. As relações empresariais não comprovam direcionamento editorial, mas justificam investigar a seleção de fontes, pautas e alternativas. O risco é apresentar a proteção da renda financeira como interesse coletivo, sem explicitar a distribuição de seus custos”.

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