EPPGG defende gestão integrada do SUS para enfrentar o envelhecimento da população
A EPPGG Fabíola Sulpino Vieira, pesquisadora do Ipea, destacou a importância de uma gestão integrada das políticas públicas para enfrentar os desafios impostos pelo envelhecimento da população brasileira. Em entrevista ao Portal VIVA, ela avaliou que a criação de um Ministério da Longevidade, em discussão pelo governo federal, não necessariamente representaria um avanço para a área.
Na avaliação da pesquisadora, o cuidado com as pessoas idosas exige articulação entre diferentes setores, especialmente Saúde, Previdência e Assistência Social. “O que precisa é de articulação para garantir que os ministérios operem de uma forma mais articulada. Não sei se há necessidade de ter uma pasta específica, porque isso significa mais demanda de cargos, um esforço e um orçamento mais dividido. Há que se pensar se isso realmente fará diferença”, afirma Fabíola.
Na entrevista, a EPPGG também chamou a atenção para o cenário de restrição orçamentária do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ela, o crescimento das despesas obrigatórias com saúde, associado aos limites estabelecidos pelo arcabouço fiscal, pressiona o orçamento federal e reduz o espaço disponível para outras políticas públicas.
Outro ponto abordado foi o peso das emendas parlamentares no financiamento da saúde. De acordo com a pesquisadora, cerca de 11% dos recursos do piso federal do SUS estão vinculados a essas emendas, o que pode dificultar a coordenação da alocação de recursos de acordo com as necessidades do sistema e as diretrizes nacionais.
Fabíola ressaltou ainda que o envelhecimento populacional amplia a demanda por serviços, procedimentos e tecnologias de saúde, tornando ainda mais urgente o aprimoramento da gestão e do financiamento do SUS. Para ela, o desafio está em garantir uma atuação mais articulada e eficiente do Estado, capaz de integrar políticas e serviços de diferentes áreas. Essa integração é fundamental para que as respostas às necessidades da população idosa sejam efetivas e contemplem não apenas a assistência à saúde, mas também o cuidado e a proteção social.