Planejamento vs. imediatismo: EPPGG critica “curtoprazismo” no Jornal dos Economistas

Em artigo publicado na nova edição do Jornal dos Economistas (nº 440), o EPPGG Paulo Kliass critica o que ele chama de “curtoprazismo”: a predominância do imediatismo do retorno financeiro em detrimento ao planejamento de Estado de longo prazo. Para ele, a manutenção sistemática, no Brasil, de taxas reais de juros dentre as mais elevadas do mundo estimula a aplicação agregada de recursos na esfera do mercado financeiro, desincentivando o investimento no setor real da economia, em atividades produtivas. “O horizonte do retorno do capital aplicado é o de menor prazo possível, ainda mais com a garantia assegurada pelo Tesouro Nacional ou outras entidades do Estado brasileiro”.

Fazendo um resgate histórico – da herança incômoda da experiência do II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) de Ernesto Geisel, durante a ditadura militar (1974-1978), à busca de inovação com a instituição do Plano Plurianual (PPA) na Constituição Cidadã de 1988 – Kliass percebe já fazer décadas que o “curtoprazismo” converteu-se na regra: “O planejamento governamental, além de ser considerado um palavrão pelas elites e pelos grandes meios de comunicação, tornou-se uma impossibilidade”. É neste cenário que, avalia o autor, “o PPA transformou-se em uma sucessão de revisões anuais de um plano de quatro anos” – apesar de sua natureza quadrienal. Ou seja: na prática, o planejamento de médio prazo efetivamente jamais existiu.

Porém, as últimas grandes crises globais – a crise financeira de 2008/2009 e a pandemia de covid-19, entre 2020 e 2022 – evidenciaram a importância da ação estatal na economia, colocando “em compasso de espera” a continuidade das medidas de política econômica inspiradas no neoliberalismo em seu estado mais puro. Os governos dos países do centro do capitalismo passaram a gastar mais recursos públicos do que faziam até então, uma vez que foi estabelecido um consenso de que, sozinhas, as forças da livre iniciativa não seriam capazes de evitar uma catástrofe de escala global. “O Estado foi chamado mais uma vez a intervir para que as consequências da crise não fossem ainda mais graves e prejudiciais ao próprio processo de acumulação de capital”, assevera Kliass.

Ele sublinha, portanto, o papel central do Estado como instrumento para assegurar a liderança de um novo e necessário ciclo de desenvolvimento econômico e social, a ser posto em prática independente das crises. Isso, contudo, depende da vontade política do governo de plantão. “Superar o ‘aqui e agora’ para incorporar os horizontes de médio e longo prazos exige uma postura firme das lideranças políticas, que não podem se acomodar à inércia que amarra a âncora à passividade da quase inação”.

Leia o texto completo.