No GGN, EPPGG avalia impacto de “pejotização” e endividamento na aprovação do governo
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Diante de bons números do governo Lula – crescimento do PIB, inflação controlada, desemprego em baixa histórica –, o economista e EPPGG Paulo Kliass busca explicações para o fato de as pesquisas de opinião não apontarem para uma melhoria da aprovação da atual gestão do Executivo Federal. Para tanto, ele relembra, em artigo no Jornal GGN, os ensinamentos de Maria da Conceição Tavares e a sua máxima “ninguém come PIB, come alimentos”.
A partir daí, Kliass afirma que as explicações para a avaliação positiva estarem estagnadas são mais complexas do que os números macroeconômicos indicam. Ele aponta, por exemplo, para os efeitos das reformas trabalhistas ocorridas nos governos passados e que não foram revogadas pela atual gestão. “Nada foi feito pelo novo governo com relação às suas promessas de revogar as reformas trabalhistas de Temer e Bolsonaro. Ambas foram realizadas com o intento de reduzir direitos e os ganhos dos trabalhadores. Com isso, incorporaram-se para dentro da legislação as possibilidades da informalidade e da precariedade nas relações trabalhistas”.
Nesta seara, Kliass afirma que os modelos dos entregadores de mercadorias e de transporte por aplicativo romperam a lógica da relação de emprego e criaram um novo espaço sem regras, sem segurança e sem direitos para os trabalhadores. “O mesmo ocorre com o avanço extraordinário da chamada ‘pejotização’ nas relações trabalhistas, com a introdução da figura jurídica de uma mera relação comercial entre as empresas contratantes e as empresas individuais contratadas. Com isso, desaparecem também direitos históricos dos trabalhadores, como salário-mínimo, férias regulamentadas, 13º salário, FGTS, abono salarial, regras relativas à jornada de trabalho, auxílio acidente de trabalho, previdência social, assistência à saúde, proteção às gestantes, auxílio alimentação, dentre tantos outros”.
Outro aspecto relevante é o elevado índice de endividamento das pessoas e das famílias. Os dados da pesquisa da Confederação Nacional do Comércio para o encerramento de 2025 apontam para cerca de 79% do total das unidades familiares endividadas. Além disso, o percentual de famílias com dívidas em atraso se mantém em torno de 30% do total.
“Desta maneira, o que se pode aprender com as reflexões da mestra [Maria da Conceição Tavares] é que não bastam apenas alguns bons números aparentes da esfera da macroeconomia. O fundamental é perceber como tal dinâmica rebate para o dia a dia concreto da vida da maioria da população. Ao que tudo indica esse coquetel composto por precarização das condições de trabalho, rebaixamento de salários, jornadas de trabalho extenuantes e dívidas impagáveis impede que os índices festejados pelos analistas nos gabinetes cheguem nas residências das famílias e dos eleitores”, conclui.