Estamos morrendo por falta de gestão

Os recordes diários de mortes por covid-19, as famílias que choram seus mortos, os trabalhadores e as trabalhadoras expostos à doença por ter que optar entre o risco e a fome, as três mil vidas perdidas diariamente que o mês de março pode registrar no Brasil. Todas essas tragédias são decorrentes de falta de gestão.

Causa dor e revolta saber que um país que é referência mundial em imunização, conta com uma das mais bem estruturadas redes de assistência social do mundo e oferece um sistema público de saúde gratuito e com capilaridade tenha deixado tudo isso para trás.

Agarrados em falsas crenças, como tratamentos sem eficácia, em um discurso de exaltação da morte e em picuinhas políticas, os governantes, em particular no nível federal, abrem mão de fazer política pública com base em evidências científicas. Morremos por falta de gestão. Morremos porque se escolheu não gerir, porque cargos técnicos são entregues a um Estado militarizado, porque vacinas são vetadas em nome de interesses políticos.

A ANESP, enquanto representante dos especialistas em políticas públicas e gestão governamental, lamenta os rumos tomados pelo país e reforça que sem um princípio basilar da administração pública, isto é, orientar-se pelas evidências, o buraco só se tornará mais e mais fundo. Atônitos, como toda a sociedade está, não deixamos de valorizar a vida, da mesma forma em que respeitamos a dor do luto pelos que já se foram. 

Nesse momento, a lucidez da ciência, a efetiva gestão de políticas públicas com uso de todo o seu instrumental e com recursos profissionais da área da saúde devem ocupar o local da condução da crise e debelar o mal maior.


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